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Imagine que você é um de poucos sobreviventes sem sorte de uma guerra termonuclear de proporções mundiais. O ambiente tranquilo que você conhecia não existe mais e sua bela casa foi parar embaixo da superfície da Terra. Pelo menos você está livre dos zumbis radioativos que perambulam pela superfície devastada. Mas você e míseros azarados que sobreviveram são forçados a gastar seus poucos dias de vida rastejando na escuridão subterrânea, acreditando serem os únicos sobreviventes. Mas não são, porque acima na superfície existe uma horda de guerreiros canibais vagando – esperando um furo seu e puxá-lo para fora da terra na esperança de devorar você. Sua curiosidade o atiça e você começa a avançar a sua maneira para fora da sujeira. Mas dentro de segundos você é arrebatado da terra e devorado por neo-bárbaros-carnívoros. E você apenas agradece por ter sido poupado do horror da sobrevivência.


Se esta cena grotesca pode ser interpreta como um jogo de RPG, uma mera ficção ou uma previsão desastrosa de nosso futuro não saberemos, mas não precisa esperar pela III guerra mundial para acabar com a civilização, porque ao escutar um pequeno trecho de um dos dois clássicos do Carnivore – Carnivore (1985) e Retaliation(1987), você se encontrará rapidamente preso em um pesadelo subterrâneo, evitando o terror do andar de acima. Se pararmos de pensar no apocalipse de amanhã e voltarmos alguns anos atrás, veremos essas imagens de guerreiros-nucleares na mente do vocalista/baixista Peter Steele, isso no ano de 1983, e que marcou o nascimento do Carnivore.

Nativos do Brooklyn em NY, o Carnivore ralou alguns anos ganhando uma reputação como uma das bandas mais perigosas da área. As multidões locais olhavam fixamente em choque total, porque estes guerreiros traziam todo o apocalipse das suas músicas para o palco: equipamentos futurísticos e vestidos com almofadas nos ombros, equipamento de hockey, pregos, os integrantes estavam cobertos com peles de animais, dando-lhes aparência de monstros. A banda enchia de sangue e cérebro de animais o público das primeiras fileiras de seus shows provocando uma reação maníaca e louca da plateia.


Em 1985, todo o caos dos shows foram finalmente canalizados em forma de vinil, o lançamento do debut auto intitulado e o conceito do álbum girando em torno da vida após uma guerra termonuclear, a banda agarrou seus fãs e os empurrou em uma sociedade fictícia (nem tanto assim) de corrupção, onde a violação, o assassinato e o canibalismo fossem aceitos como meios de sobrevivência.

Com o lançamento do segundo álbum “Retaliation” (1987) a banda voltou-se mais para música do que a imagem. Abandonando assim os trajes e a atitude do science-fiction. Peter permitiu que seus sentimentos mais profundos fossem reproduzidos em “Retaliation”, a temática da banda passou a se concentrar em assuntos variados como tensão racial (guerra) da raça, guerra do grupo (sexo e violência), o patriotismo (EUA para americanos) e ansiedade intensa (conflito interno).

Depois do lançamento de “Retaliation”, o Carnivore já estava no alto de sua carreira, e no ponto de quebrar as amarras que os prendiam ao Brooklyn e espalhar seu som pelo mundo. Mas em fevereiro de 1988, na altura da popularidade, problemas pessoais na banda atrapalharam a carreira do Carnivore causando a sua extinção. O Carnivore talvez possa existir somente na lembrança de cada um dos fãs, mas por muito tempo você escutará, quando estiver livre andando e convivendo com a ideologia retorcida de seu co-piloto – Peter Steele.


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