Escrito por: Filipe Souza [filipe@metalzone.com.br]
Um dos poucos senão o único remanescente da invasão thrash metal
americana que não amenizou sua sonoridade ou redeu-se aos caprichos do
mercado fonográfico. Assim é o Slayer. Fiel a um estilo copiado e que
influenciou centenas de grupos, a banda consegue chegar até o ano de
2002 esbanjando qualidade em seus trabalhos.
Polemico, provocativo e debochado o Slayer conseguiu uma legião de fãs
não só dentro do thrash metal, mas em diferentes outros estilos.
Show No Mercy (1983)
Nota: 8.5
Esse álbum marca o início de uma era, o surgimento do thrash metal como estilo de vida.
A capa é simples, mas assustadora com um diabo empunhando uma espada. A contra capa exibia fotos ao vivo dos integrantes com maquiagens pesadíssimas, cruzes de ponta cabeça e Kerry King com seu bracelete cheio de pregos.
No quesito música esse play vem recheado de clássicos. E já abre com “Evil Has No Boundaries” solos cortantes e bateria martelando seu cérebro isso é a marca registrada do Slayer nesse debut. Sem tempo para respirar o clássico seguinte é “The Antichrist” é aquela faixa curta e certeira com muitos gritos e falsetes emitidos por Tom Araya e um final muito bacana. As três primeiras faixas desse cd ainda são tocadas ao vivo, isso para que você possa ter uma idéia do poder de fogo delas e mais um exemplo é a terceira música “Die By The Sword”.
Todas as faixas são excelentes, mas prefiro me prender as mais classudas desse álbum como é o caso da magnífica “Black Magic” e seus riffs imortais, apesar de que em matéria de riffs o Slayer é craque, já que produziram muitos riffs inesquecíveis dentro do thrash metal. Mas isso vocês lerão mais à frente.
Hell Awaits (1985)
Nota: 8.5
Antes desse álbum o Slayer lançou um maravilhoso Ep chamado Haunting The Chapel que só tinha quatro faixas, mas são quatro maravilhosos clássicos como “Chemical Warfare” com seis minutos de música, depois temos “Captor Of Sin” que já inicia com uma malha de solos da dupla Jeff/King.
E no ano seguinte ao Ep, o Slayer volta com mais um destruidor álbum. Não tem como negar que a partir desse álbum o Slayer serviu de fonte de inspiração para centenas de bandas que produzem metal extremo.
As músicas vieram mais extensas, a maioria com duração superior a 4 minutos. Muitos solos e muitos solos, Araya se esgoelando e Lombardo destruindo sua bateria. Desse álbum posso destacar a faixa título “Hell Awaits” que já foi coverizada pelo Cradle of Filth em um tributo ao Slayer. Além de “Kill Again” e “At Dawn They Sleep”.
Reign In Blood (1986)
Nota: 10
Falar desse álbum é fácil e ao mesmo tempo complicado já que se trata de um clássico dentro da história do thrash metal mundial e dentro do próprio heavy metal como um todo. Quando se fala de thrash metal, vem à mente alguns grandes plays como Master of Puppets do Metallica, Rust in Peace do Megadeth, Coma of Souls do Kreator, além de algumas obras primas de outros grupos como Exodus, Anthrax, Testament e etc...
Ritimos alucinantes e bateria a velocidade da luz. Esses são alguns dos muitos adjetivos que esse álbum pode receber. O play é curto, mas “Angel of Death” além de ser a faixa mais longa é a mais trabalhada e muito polêmica já que a letra trata do nazista Josef Mengele. A banda acabou sendo acusada de nazista pela imprensa e junto a isso veio acusações de satanismo o que fez que fossem boicotados de rádios e da mídia.
Mas o sucesso de Reign Blood foi fenomenal e fez com que o álbum vendesse mais de 500 mil cópias. Alguns problemas aconteceram com o grupo. Um deles foi à saída momentânea de Dave Lombardo da banda para se casar, em seu lugar entrou Tony Scaglione (do Whiplash) que segurou as pontas durante a turnê.
South of Heaven (1988)
Nota: 8.5
Esse foi o primeiro álbum da banda que ouvi. Na verdade relutei muito contra esse grupo, já que na época (1993) curtia apenas metal tradicional e o que eu havia escutado de mais pesado era o Metallica (Ride the Lighting/Masters of Puppets).
Fui fazer um trabalho escolar na casa de um amigo e só tinha esse disco no meio das coisas deles. Fui e ouvi. Ouvi umas 30 vezes. A lavagem cerebral foi tão boa que corri atrás de mais material da banda. Até que cheguei no maravilhoso “Decade of Aggression”, mas aí já é outra estória.
Depois de uma agressão praticamente sem fim que foi o álbum anterior era de se esperar que a banda tirasse um pouco o pé de acelerador, mas não estou dizendo que esse play não é pesado, pelo contrário, ele dá início a uma linha que a banda seguiria até o próximo álbum, aliando peso, melodia e técnica. Em South of Heaven existem muitos riffs que se tornaram característicos do Slayer.
O play abre com a tenebrosa South of Heaven que aos poucos toma peso. O vocal de Tom não esta tão agressivo, porém a técnica da banda esta mais apurada. Em seguida tem “Silent Screem” é quando o peso aumenta. Daí em diante a banda distribui mais “cacetadas” como “Live Undead” (essa música já foi título de um Ep ao vivo lançado em 1985) e “Mandatory Suicide”. Pela primeira vez o grupo toca um cover e a escolha foi “Dissident Aggressor” do Judas Priest.
Uma observação em relação ao título, a palavra South of Heaven (Sul do Paraíso) é uma referência ao inferno, que estaria ao Sul (abaixo) do Paraíso.
Seasons in the Abyss (1990)
Nota: 9.5
Bem, se o Reign Blood é considerado o álbum mais rápido e pesado do Slayer e South of Heaven o mais melódico, então Seasons é a perfeição. Digo isso, já que o quinto trabalho de estúdio do grupo conseguiu unir a brutalidade do Reing in Blood em músicas como “War Ensemble”, “Spirit in Black”, “Hallowed Point” e um lado mais melódico e obscuro do South of Heaven em faixas como a própria faixa título “Seasons in the Abyss”.
O baterista Dave Lombardo foi um show à parte, a velocidade e técnica do cara são assustadora e ficou comprovado nesse trabalho que ele é o melhor baterista de thrash metal. A dupla de guitarras também não deixou a desejar. Jeff e King foram afiadíssimos nos solos.
Decade of Aggression (live) (1993)
Nota: 10
O que tem para se falar dessa pérola ao vivo? Que na minha humilde opinião é um dos melhores álbuns ao vivo da história do metal, ao lado de grandes outros clássicos como por exemplo: Made Japan do Deep Purple, Unleashed in the East do Judas Priest, Live At Hammersmith do Motorhead, Live After Death do Iron Maiden e o Kaizoku-Ban do Accept.
É uma porrada atrás da outra, não dá tempo pra respirar. Um álbum duplo para comemorar os 10 anos da banda que junto com Metallica, Testament, Megadeth e Exodus criaram os pilares do thrash metal.
As músicas dos álbuns de estúdio tiveram sua agressividade aumentada em 10 vezes. Parecia impossível conceber que “Angel of Death”, “War Essemble”, “Chemical Warfare” entre outras pudessem ficar mais rápidas ainda.
Para aqueles que não conhecem a banda, esse álbum é um excelente começo, já que retrata bem a discografia do grupo desde seu início.
Divine Intervention (1994)
Nota: 9.5
Foram quatro anos de espera para um novo lançamento, mudanças na formação do grupo com a saída do animalesco Dave Lombardo alegando que a banda não respeitava sua vida familiar. Para seu lugar foi chamado o ex Forbiden Paul Bostap que foi baterista do grupo nos três primeiros álbuns.
Algumas dúvidas dos fãs recaiam encima da banda, já que os dois últimos trabalhos foram um tanto “leve” em relação ao o que já fizeram. Muitos acreditavam em um Slayer menos pesado. Mas não foi o que aconteceu, pelo contrário. Divine Intervention é descomunal.
O novo integrante se mostrou tão animalesco quanto Lombardo e deu muito bem conta do recado. E que o Slayer sempre foi a mais infernal das bandas thrash/death isso todo mundo já sabia, mas lançar um álbum com tanto ódio e fúria como Divine foi a sensação mais sublime que um fã poderia ter.
Foi nessa época que o Slayer visitou pela primeira vez o Brasil para participar da primeira edição do Philips Monsters of Rock em São Paulo, a edição também teve Kiss como atração principal o Black Sabbath com Tony Martin, Suicidal Tendencies, Viper e o Angra ainda no seu início de carreira.
Undisputed Attitude (covers) (1996)
Nota: 8
Esse trabalho de estúdio da banda foi um soco na cara de quem na época achava que o punk rock podia ser representado por bandas como Green Day, Rancid e Offspring. O Slayer gravou esse álbum só com covers de bandas punks. São ao todo 13 faixas onde a banda mostra o que é o verdadeiro Punk. Foram escolhidos grupos como GBH, TSOL, Stooges entre outros.
O destaque aqui pode ficar para o cover de I Hate You. E a última faixa do álbum é a única que não é um cover, “Gemini” parece ter sido sobra de Divine Intervention.
Diabolus In Musica (1998)
Nota: 7.5
O Slayer não é mais o mesmo, porém seus álbuns continuam bons. Não são tão rápidos e furiosos como antigamente, para não ter que ir tão longe, esse trabalho é o mais fraco que conseguiram produzir. Fraco de solos, de boas composições e letras.
As músicas têm peso, mas são sempre arrastadas, os vocais de Tom Araya estão sempre com efeitos, muito usados pelo Korn. É difícil encontrar alguma faixa que se salve num mar de músicas medianas, mas ainda sim “Stain of Mind” consegue se sobressair.
O mais criativo desse álbum foi o título, retirado de uma nota musical. Na turnê de Diabolus, o Slayer foi atração principal do Phillips Monsters of Rock em São Paulo.
God Hates Us All (2001)
Nota: 8.5
Com faixas curtas e certeiras Tom Araya, Jeff Hanneman, Kerry King e Paul Bostaph nos presenteiam com um álbum muito bem trabalhado. É inacreditável a brutalidade e o peso da faixa Disciple o refrão desta é simplesmente perfeito, outros destaques vão para as faixas New Faith, Exile, Bloodline, War Zone e Here Comes The Pain (a mais longa do cd), caso tenha curiosidade pelas letras, as mesmas refletem bem o mundo atual, e ainda dizem por aí que metal é coisa de gente alienada. Não poderia faltar um comentário a respeito da capa do cd, é bem "delicada", capaz de deixar qualquer evangélico de carteirinha de cabelos arrepiados.
Vale a pena conferir afinal God Hates Us All.
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