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Type O Negative é o que muita banda dita "gothic-metal"
sonham em ser: autêntica. Sem precisar de maquiagens, vocais femininos
e cara de bebê abandonado, a banda liderada pelo vampirão Peter
Steele e junto a ele o amigo Josh Silver, há mais de 10 anos despeja
nos fãs suas decepções amorosas e desafetos familiares.
A cada álbum mostram composições que criam climas perfeitos
para filmes sobre vampiros, suspense e erotismo, fazendo com que sua alma
entre em um desespero e solidão absoluta.
Atualmente se fala e muito no termo "gothic-metal" ou metal gótico
e seja lá o que for, mas quando vai se exemplificar alguns críticos
costumam usar bandas um tanto quanto diferentes e algumas diferentes até
demais entre si mesmas, ou seja acabam saindo do contexto e confundindo
os fãs e a si próprios. Enquadrar o Type somente nesse estilo
gothic é amarrar uma corda no pescoço dos caras e atira-los.
Mas eles não estão muito longe disse não.
A mídia especializada atribui muitos rótulos para a banda:
"vampiric metal", "gothic metal", "doom metal",
e por ai vai. Mas esse quarteto liderado pelo "marombado" Peter
Steele no final das contas, não consegue ser rotulado de forma alguma
devido à riqueza musical que sua banda proporciona. E chegam em 2004
com cinco álbuns de estúdio, um meio que ao vivo e uma coletânea
levando uma legião de fãs espalhados pelo globo à loucura
e uma carreira sólida.
Sem dúvida Peter é o líder "nato" do grupo,
responsável pela fundação (junto com seu amigo Josh),
pela composição da maior parte das letras do Type.
Antes
de começar a falar do inicio do Type o Negative vale começarmos
pelo Carnivore ex-banda do Peter e onde ele ensaiou os primeiros passos
até chegar ao Type. Fazendo um breve resumo do Carnivore. A banda
foi criada por Peter em 1983 no Brooklin em Nova Iorque, o visual era inspirado
em seres pré-apocalípticos e as letras de seus dois álbuns
também. O primeiro play auto-intitulado foi lançado em 1985,
o som era bem hardcore e pesado vale destacar a música "xxxxxx"
onde já se nota alguma semelhança com a sonoridade que Peter
iria desenvolver anos mais tarde. Esse álbum foi produzido pelo amigo
Josh que não fazia parte da banda.
Em 1987, um segundo álbum foi lançado "Retaliation"
onde o grupo se preocupou mais com a música que com o visual. Porém
a banda acabou no ano seguinte.Quem quiser saber mais sobre essa fase apocalíptica
de Peter vale uma conferida no link: http://www.metalzone.com.br/classicos/www/carnivore.asp , onde o assunto é mais aprofundado.
Peter
chega ao ano de 1990 já com uma banda já formada, os integrantes
são: o baterista Sal Abruscato, o guitarrista Kenny Hickey e o tecladista
Josh Silver. A banda consegue no ano seguinte gravar seu primeiro álbum
pela Roadrunner. E então temos "Slow, Deep and Hard",
diferente do título temos nesse cd uma banda rápida e ainda
com resquícios do Carnivore em algumas passagens, porém é
um dos melhores álbuns do grupo. É uma álbum cru e
visceral confira a faixa de abertura "unsuccessfully coping with the
natural beauty of infidelity", que ao longo dos seus 12 minutos, a
banda passa por vários climas tétricos intercalando com o
peso e a velocidade do hardcore nova iorquino.
Peter relata nessa faixa o péssimo relacionamento dele com sua última
namorada e também que estava por dentro das escapulidas da "moça",
é só dar uma sacada no refrão "I know you're fucking
someone else". Durante todo o play encontramos elementos musicais que
serão mais trabalhados no futuro da banda, como as partes lentas
que se aproximam do doom-metal, coros com toques quase "sacros"
e partes acústicas. O baixo sempre marcante de Peter é o que
comanda toda a fúria do álbum que também tem o molho
especial do teclado de Josh. Das sete faixas do cd, duas são instrumentais,
a quinta faixa chamada "glass walls of limbo (dance mix)" dá
a sensação de estar em uma siderúrgica e com coros
sacros (feitos por Peter). A segunda instrumental vem logo em seguida e
não é bem uma instrumental, é apenas 1 minuto de silêncio
com o singelo título de "A má interpretação
do silêncio e sua desastrosa conseqüência".
Esse álbum é excepcional pela sua criatividade é como
uma pedra bruta, que foi polida com o tempo e hoje temos o Type que esta
por ai.
O álbum tem uma boa repercussão no cenário, e depois
de uma tour com o Biohazard e o The Exploited.
Vai se saber o que levou o Type a fazer um álbum ao vivo logo após
o seu debut, mas isso não é importante, pois esse álbum
não tem nada de ao vivo, é pura enganação. A
estória que existe por de trás desse álbum é
que Peter havia gastado o dinheiro que foi dado pela gravadora para a produção
de um álbum ao vivo de verdade, mas o Sr. Peter o gastou com festas.
Para reparar isso, a banda gravou novas versões das faixas do primeiro
álbum, mixado com o som do público e até diálogo.
O
que chama a atenção mesmo nesse álbum são os
covers para "Hey Joe" do Jimi Hendrix, que foi alterada para "Hey
Peter" e "Paranoid" do Black Sabbath com alguns riffs de
"Iron Man" no meio da música. Esse cd foi relançado
em 1994 com uma nova capa, visto que a original mostrava um coito anal homossexual.
E foi incluída também a faixa "Paranoid".
Em 1993 o Type conseguiu sua ascenção junto ao público,
e foi com "Blood Kisses" que o Type conseguiu seu merecido
reconhecimento da mídia e do público pelo mundo e isso sem
se tornar comercial. Mudando radicalmente seu conceito musical (do visceral
para o sombrio) e investindo mais em melodias doom, é desse cd que
sai os primeiros hits do grupo. Quem não ouviu exaustivamente nas
rádios e na Mtv as músicas "Christian Woman" e "Black
Nº 1?".
A intro "Machine Screw" começa com gritos femininos de
prazer que te levam suavemente para a faixa "Christian Woman",
essa música não só foi o primeiro hit do grupo como
também sua dor de cabeça. Por ser muito extensa, cerca de
9 minutos, teve que ser editada para ser tocada na Mtv e para as rádios.
A versão editada tem a letra também adulterada.
Mas a edição não prejudicou a "obra". A música
fala de uma adolescente cristã que vê em Cristo crucificado
um símbolo sexual, o clipe dessa música é excelente,
sombrio e picante, mostrando a adolescente na cama com o suposto Cristo.
A terceira faixa é mais um hit da banda. Black Nº 1 deu o título
de "metal-vampiro" ao grupo, e mais um clipe foi exibido. A canção
conta à história de uma groupie que Peter se relacionou e
não foi muito feliz confira no refrão "Loving you was
like loving the dead".
O lado hardcore do grupo volta à tona nas faixas "Fay wray come
out and play" e "Kill all the white people". Mas a melancolia
de Peter Steele retorna nas músicas "Summer Breeze", "Blood
Kisses" essa é mais uma faixa sobre um relacionamento mal acabado
do vampirão, ele chega a dizer "Oh no, Please dont' go, It's
like a death in the family" (Oh não, Por favor, não se
vá, Isso é como uma morte na família). Problemas pessoais
do vocalista recheiam o cd, como em "Too Late: Frozen" e "Blood
& Fire".
Blood Kisses é item obrigatório em qualquer cd-teca que se
preze. O álbum chamou a atenção de headbangers, góticos
e fãs de metal em geral.
Em
1994 saiu uma versão digipack para o Blood Kisses. Essa versão
digipack retirou as faixas curtas e rápidas da primeira edição,
deixando somente as mais legais como: "Christian Woman", "Bloody
Kisses (A Death in the Family)", "Too Late: Frozen", "Blood
& Fire", "Can't Lose You", "Summer Breeze",
"Set Me on Fire", "Black No. 1 (Little Miss Scare-All)"
além da inédita "Suspended in Dusk" que não
coube na primeira versão do cd.Não só a capa é
diferente como o encarte que mostra esculturas de anjos em cemitérios.
Durante a tour desse álbum alguns desentendimentos entre Sal Abrusvatto
e a banda cuminou na saída do baterista em seu lugar entrou o ex-
Life of Agony Johnny Kelly.
Em
1995 o Type participa do primeiro volume do tributo ao Black Sabbath, o
projeto conhecido como "Nativity In Black", junto participaram
bandas de renome como: Megadeth, Bruce Dickinson, Sepultura, Faith No More,
White Zombie etc... O Type grava a música Black Sabbath em uma versão
bem Type O Negative, diferente das outras bandas que seguiram o original,
a versão do Type ficou muito sombria e obscura. Muitos fãs
aguardavam na expectativa como seria o novo álbum, e enquanto aguardavam
Peter teve um tempinho para posar peladão para a revista Playgirl,
o que chamou mais ainda atenção para o nome da banda.
E finalmente em 1996 é chegada a hora de October Rust. Maravilhoso.
Genial. Fica difícil escolher entre Blood Kisses e October Rust.
As letras do cd estão bem melhores escritas e todas usando o erotismo
ora sarcástica ora dramática. Sem contar as duas primeiras
faixas do cd, pois a primeira é apenas estática e a segunda
é a banda desejando que a galera curta o álbum (desejando
isso de forma bem debochada).
A "festa" começa mesmo na terceira faixa, "Love you
to Death", com direito a um belíssimo vídeo clipe. O
instrumental dessa música como de todas as faixas do álbum
é muito bonito, começando com uma bélissa introdução
de piano e a voz de Peter dando o tom erótico e romântico na
música. Em "Be my Druides" é o baixo que comanda
a festa, assim a música segue em um clima mágico e hipnotizante,
como em todo o álbum.Já com um clima mais ameno e sons de
chuva e natureza segue "Green Man". Mas toda a alegria e sensação
de natureza se vão com a entrada de "Red Water", uma canção
densa que trata de uma reunião para a ceia de natal organizada pela
irmã de Peter. Na mesa foi deixado um lugar vazio em memória
do pai de Peter. E mais uma vez o clima é desfeito, agora com um
pique meio eletrônico e dançante, entra "My Girlfriend's
Girlfriend", a faixa teve clipe rolando a rodo na MTV, e chegou a ser
proibido em alguns países, devido ao fato da canção
tratar do homossexualismo feminino e com Peter fazendo parte da festa.
Violões
dão um tom acústico à "Die With Me". A letra
de "Burnt Flowers Fallen" é excelente, casando muito bem
com o instrumental. A mais fraca do álbum "In Praise Of Bacchus"
consegue ter um bom clima criado pelos teclados de Josh. Muito bem escolhido
foi o cover "Cinnamon Girl" do Neil Young. A faixa seguinte com
o pequeno título "Glorious Liberation of the People's Technocratic
Republic of Vinnland" é uma instrumental muito da sem graça,
mas a história por trás do título dessa faixa é
que a torna interessante. Para quem não sabe Vinnland é um
termo nórdico dado pelos Vikings para a América, a tradução
seria algo como "Terra de Florestas" o local exato dessas "terras",
não se sabe, mas acreditasse que fique entre o Canadá e o
extremo norte dos Estados Unidos. Isso aconteceu por volta de 1000 DC. Isso
foi só um resumo da história, existe muito mais informação
sobre o tema e vale a pena pesquisar.
Outro ponto alto do cd é a faixa "Wolf Moon" são
6 minutos de climas sombrios, a letra com seu tom sacro e aterrorizante
ao mesmo tempo. Fechando o cd tem "Haunted", mais uma canção
sobre algum relacionamento de Peter, vale destacar mais uma vez a letra
da faixa. Mesmo tendo cerca de 10 minutos, são tantas passagens e
climas que a banda consegue criar, que simplesmente não se percebe
o tempo passar. Sem dúvida alguma October Rust é um clássico
da banda. Fica claro mais uma vez a qualidade lírica do álbum,
e os magníficos arranjos. Item totalmente indispensável para
fãs de metal em todas suas vertentes.
Em 1999 vem o mais fraco álbum do grupo, sim estou falando
de World Coming Down, de suas 13 faixas apenas umas 3 se salvam por
completo. São elas "Every One I Love Is Dead", "All
Hallow´s Eve" e "Everything Dies". O estilo Black Sabbath
de ser foi incorporado em todo álbum. A faixa título tem lá
seus méritos, mas se perde por ser muito extensa. O cover dos Beatle's
"Daytripper" ficou interessante. Na verdade esse é um álbum
que precisa ser ouvido pelo menos umas cinco vezes para ser assimilado.
World Coming Down lembra um pouco os primórdios da banda, mas sem
o brilhantismo e o poder de outrora.
O Type O Negative ainda foi trilha sonora para diversos filmes como "Privates
Parts", "The Bride Of Chucky", I know Die Last Summer e The
Blair Witch .
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